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Parque aquático é denunciado por mudar curso de rio e desmatar área de proteção; local funciona de forma ilegal, diz MPPE

Coqueiral Park fica no bairro de Ouro Preto, num fragmento de mata atlântica. Área faz parte de uma zona de preservação ambiental permamente.

Redação
Por: Redação Fonte: TV Globo
13/04/2026 às 20h54
Parque aquático é denunciado por mudar curso de rio e desmatar área de proteção; local funciona de forma ilegal, diz MPPE
Imagem de arquivo mostra o Coqueiral Park, em Ouro Preto, em Olinda - Foto: Reprodução/TV Globoão/TV Globo

 

Por Luna Markman, TV Globo - O parque aquático Coqueiral Park promete lazer perto da natureza, declara uso consciente da água e respeito à vida animal. Porém, para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o parque de diversões é clandestino, promove desmatamento e aterra cursos d’água de uma Área de Preservação Permanente (APP). 

O estabelecimento, que fica no bairro de Ouro Preto, em Olinda, é um dos parques aquáticos mais conhecidos de Pernambuco. O local é investigado desde 2023 pela 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania, após uma denúncia anônima sobre obras irregulares e movimentação de terra. 

Há mais de 20 anos, o Coqueiral Park funciona dentro de um fragmento de mata atlântica, reconhecido como a APP do Rio Fragoso. 

Segundo o Ministério Público, desde 2022, o local está com a licença para operação da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) vencida e, ao tentar a regularização, teve o pedido negado por graves intervenções. 

De acordo com documentos da CPRH de 2025, as vistorias constataram que, nos últimos anos: 

o parque extraiu, de forma ilegal, o barro que havia dentro da área de proteção;

construiu um barramento de concreto no leito do Rio Fragoso, mudando o seu curso natural, sem qualquer autorização ou estudo de impacto; descartou de maneira criminosa resíduos de construção civil na própria APP.

A CPRH chegou a emitir um auto de infração, com multa, embargo da área e pedido de plantio de 700 mudas de árvores de mata atlântica. A medida não foi cumprida. 

Para Soraya El-Deir, professora de Engenharia Ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), é necessário um plano de gestão ambiental. 

"Quando a gente vai para um empreendimento, é fundamental que tenha um plano de gestão ambiental, porque não vai tratar só de resíduos, vai tratar de água tratada e alimentos, uma sequência de coisas. Quando a gente olha este detalhe da disposição inadequada dos resíduos que vêm desta reforma, é uma questão que criminaliza, sem dúvida, este ato e que precisa ser revertido", indica a especialista. 

Além de degradar o meio ambiente, o MPPE descobriu problemas na documentação do parque. Entre eles:

O parque está funcionando sem alvará da prefeitura de Olinda;

O atestado do Corpo de Bombeiros está expirado desde 2019;

A licença sanitária perdeu a validade em 2024.

De acordo com Jefson Romaniuc, promotor de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, o parque funciona de forma clandestina. 

"Há um risco concreto para todos os usuários daquele empreendimento. Como ele não tem a licença de operação expedida pelos órgãos ambientais, e não tem o alvará de funcionamento da prefeitura, então ele opera de forma clandestina, ilegal. Além dessas irregularidades documentais, havia também a presença de dano ambiental naquela região", diz o promotor.

O MPPE, ao ajuizar a ação, entende que são necessárias uma reparação na área degradada e uma reparação por dano moral coletivo, no valor de R$ 2 milhões, como forma de inibir o poluidor a continuar com as atividades irregulares. 

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