

Por Luna Markman, TV Globo - O parque aquático Coqueiral Park promete lazer perto da natureza, declara uso consciente da água e respeito à vida animal. Porém, para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o parque de diversões é clandestino, promove desmatamento e aterra cursos d’água de uma Área de Preservação Permanente (APP).
O estabelecimento, que fica no bairro de Ouro Preto, em Olinda, é um dos parques aquáticos mais conhecidos de Pernambuco. O local é investigado desde 2023 pela 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania, após uma denúncia anônima sobre obras irregulares e movimentação de terra.
Há mais de 20 anos, o Coqueiral Park funciona dentro de um fragmento de mata atlântica, reconhecido como a APP do Rio Fragoso.
Segundo o Ministério Público, desde 2022, o local está com a licença para operação da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) vencida e, ao tentar a regularização, teve o pedido negado por graves intervenções.
De acordo com documentos da CPRH de 2025, as vistorias constataram que, nos últimos anos:
o parque extraiu, de forma ilegal, o barro que havia dentro da área de proteção;
construiu um barramento de concreto no leito do Rio Fragoso, mudando o seu curso natural, sem qualquer autorização ou estudo de impacto; descartou de maneira criminosa resíduos de construção civil na própria APP.
A CPRH chegou a emitir um auto de infração, com multa, embargo da área e pedido de plantio de 700 mudas de árvores de mata atlântica. A medida não foi cumprida.
Para Soraya El-Deir, professora de Engenharia Ambiental da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), é necessário um plano de gestão ambiental.
"Quando a gente vai para um empreendimento, é fundamental que tenha um plano de gestão ambiental, porque não vai tratar só de resíduos, vai tratar de água tratada e alimentos, uma sequência de coisas. Quando a gente olha este detalhe da disposição inadequada dos resíduos que vêm desta reforma, é uma questão que criminaliza, sem dúvida, este ato e que precisa ser revertido", indica a especialista.
Além de degradar o meio ambiente, o MPPE descobriu problemas na documentação do parque. Entre eles:
O parque está funcionando sem alvará da prefeitura de Olinda;
O atestado do Corpo de Bombeiros está expirado desde 2019;
A licença sanitária perdeu a validade em 2024.
De acordo com Jefson Romaniuc, promotor de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, o parque funciona de forma clandestina.
"Há um risco concreto para todos os usuários daquele empreendimento. Como ele não tem a licença de operação expedida pelos órgãos ambientais, e não tem o alvará de funcionamento da prefeitura, então ele opera de forma clandestina, ilegal. Além dessas irregularidades documentais, havia também a presença de dano ambiental naquela região", diz o promotor.
O MPPE, ao ajuizar a ação, entende que são necessárias uma reparação na área degradada e uma reparação por dano moral coletivo, no valor de R$ 2 milhões, como forma de inibir o poluidor a continuar com as atividades irregulares.