

Por: Cláudio Iganatiuk - Um dia, desesperado por haver-lhe o pai cortado a mesada, o pintor impressionista francês Claude Monet entregou a última tela que lhe restava ao seu amigo Bazille – destruíra todas as outras para não ter de vendê-las por ninharia – e pediu-lhe: ‘’Veja se me arranja 100 francos por ela. Estou morrendo de fome!’’ Era no outono de 1867, e o artista, na fase mais miserável de toda a sua vida, deixara Paris e refugiara-se em Sainte-Adresse, próximo ao Havre, na casa de sua tia, a senhora Lecadre.
Alguns dias depois, Bazille voltava com a auspiciosa notícia de que havia conseguido 400 francos pelo quadro. Monet exultou. ‘’Bravo’’, gritou, ‘’é uma fortuna!’’
No ano de 1968, essa mesma obra – ‘’ La Terrasse à Sainte-Adresse’’ – alcançava no leilão da Christie londrina o lance de 700 milhões de francos, para em seguida ser revendida por quantia ignorada – calculam-se cifras fabulosas – ao Metropolitan Museum of Art.
(Fonte: Revista GAM – Galeria de Arte Moderna, número 11, 1968, pág. 42, com correções atualizadas.)
Claude Monet, a lenda
Claude Monet (1840 - 1926) é a estrela do impressionismo. Por que? Certamente porque ele era o mais produtivo, o mais extrovertido (conhecia todos), o mais inspirador e o mais inspirado. Sua obra multiforme é, sem dúvida, a mais representativa do movimento. Corresponde aos padrões do impressionismo tal como os vemos hoje: ruptura com o academicismo, apreensão subjetiva do sujeito, pintura ao ar livre, uso de cores vivas, diluição de formas e contornos.